Um Cara Analógico em Tempos Digitais.

Um Cara Analógico em Tempos Digitais.

Tenho carteira de habilitação, de paraquedismo, de mergulho, de videolocadora, mas até hoje me falta uma de trabalho. Proeza da qual venho me esquivando com sucesso há anos, o que explica minha dificuldade em preencher “Profissão” em prontuários: caçador de recompensas, piloto de balsa, astrofísico, assistente pleno na Fogos Caramuru…

Um campo aberto aos meus fetiches profissionais.


Quando ainda era muito pequeno, fui obrigado a interromper meus estudos para ir à escola.
Não foi de todo mal. Aprendi que a água da privada gira em direções opostas em cada hemisfério, a diferença entre angiospermas e gimnospermas e a importância de guardar certas opiniões para si mesmo.


Após cumprir meu dever socioeducativo, resolvi perseguir meu sonho infantil de ser dublê e acabei contratado por um canal de televisão para criar e apresentar um programa sobre esportes radicais. Em contrapartida, tive de me sujeitar a um acompanhamento fonoaudiológico para dar uma polida na minha dicção. Trato feito.


Não haviam muitos benefícios empregatícios envolvidos, mas a experiência certamente fez valer a falta de um décimo terceiro e de um plano odontológico — montei em touro, pilotei avião, fiz rosquinhas com um stock car, assei uma maminha com Ronaldinho Gaúcho, tomei voadora de um ninja, fui pra balada com Tony Hawk, empinei o cavalo branco do Beto Carrero e cantei “On My Way” no palco com o Supla. C’mon kids!

Sem perceber, virei especialista no ramo de fazer memórias (o que nem sempre custa barato e talvez tenha contribuído para a falência da MTV).

Tenho carteira de habilitação, de paraquedismo, de mergulho, de videolocadora, mas até hoje me falta uma de trabalho. Proeza da qual venho me esquivando com sucesso há anos, o que explica minha dificuldade em preencher “Profissão” em prontuários: caçador de recompensas, piloto de balsa, astrofísico, assistente pleno na Fogos Caramuru…

Um campo aberto aos meus fetiches profissionais.


Quando ainda era muito pequeno, fui obrigado a interromper meus estudos para ir à escola.
Não foi de todo mal. Aprendi que a água da privada gira em direções opostas em cada hemisfério, a diferença entre angiospermas e gimnospermas e a importância de guardar certas opiniões para si mesmo.


Após cumprir meu dever socioeducativo, resolvi perseguir meu sonho infantil de ser dublê e acabei contratado por um canal de televisão para criar e apresentar um programa sobre esportes radicais. Em contrapartida, tive de me sujeitar a um acompanhamento fonoaudiológico para dar uma polida na minha dicção. Trato feito.


Não haviam muitos benefícios empregatícios envolvidos, mas a experiência certamente fez valer a falta de um décimo terceiro e de um plano odontológico — montei em touro, pilotei avião, fiz rosquinhas com um stock car, assei uma maminha com Ronaldinho Gaúcho, tomei voadora de um ninja, troquei amenidades com Tony Hawk, empinei o cavalo branco do Beto Carrero e cantei “On My Way” no palco com o Supla. C’mon kids!

Sem perceber, virei especialista no ramo de fazer memórias (o que nem sempre custa barato e talvez tenha contribuído para a falência da MTV).

Com um currículo que podemos chamar de no mínimo “maneiro”, mas sem um perfil muito sedutor no LinkedIn, meus dias de construir rampas e saltar por arcos de fogo estavam contados.

Tava nítido que eu precisava inventar um novo trabalho — “Quem sabe uma marca ou uma produtora? Bolovo Productions. Pei, gênios!” — Afinal, quem precisa de chefes?


A Bolovo foi uma empreitada delirante de muita experimentação e liberdade criativa.

Meu trabalho era basicamente comandar expedições e fazer o meu melhor para documentá-las. De eletricista a editor, de pirotécnico a roteirista, aprimorei meus skills, e contar histórias virou meu ofício. Por meio de produtos, jet-motos, eventos, campanhas, colaborações, filmes e séries, desenvolvi meu estilo de escrever e dirigir e amadureci minha identidade visual e narrativa.


Hoje sigo na estrada com a retaguarda dos meus confrades/homies da Paranoid, orbitando em direção a projetos & aventuras originais que me tirem novamente da zona de conforto. É uma boa maneira de continuar fugindo do Ministério do Trabalho e, quem sabe, um dia descobrir o que preencher naquela lacuna dos prontuários.


Até lá, sigo na busca.

Com um currículo que podemos chamar de no mínimo “maneiro”, mas sem um perfil muito sedutor no LinkedIn, meus dias de construir rampas e saltar por arcos de fogo estavam contados.

Tava nítido que eu precisava inventar um novo trabalho — “Quem sabe uma marca ou uma produtora? Bolovo Productions. Pei, gênios!” — Afinal, quem precisa de chefes?


A Bolovo foi uma empreitada delirante de muita experimentação e liberdade criativa.

Meu trabalho era basicamente comandar expedições e fazer o meu melhor para documentá-las. De eletricista a editor, de pirotécnico a roteirista, aprimorei meus skills, e contar histórias virou meu ofício. Por meio de produtos, jet-motos, eventos, campanhas, colaborações, filmes e séries, desenvolvi meu estilo de escrever e dirigir e amadureci minha identidade visual e narrativa.


Hoje sigo na estrada com a retaguarda dos meus confrades/homies da Paranoid, orbitando em direção a projetos & aventuras originais que me tirem novamente da zona de conforto. É uma boa maneira de continuar fugindo do Ministério do Trabalho e, quem sabe, um dia descobrir o que preencher naquela lacuna dos prontuários.


Até lá, sigo na busca.

Com um currículo que podemos chamar de no mínimo “maneiro”, mas sem um perfil muito sedutor no LinkedIn, meus dias de construir rampas e saltar por arcos de fogo estavam contados.

Tava nítido que eu precisava inventar um novo trabalho — “Quem sabe uma marca ou uma produtora? Bolovo Productions. Pei, gênios!” — Afinal, quem precisa de chefes?


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Até lá, sigo na busca.

Marcas que já me deram uma moral:

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© 2026 LUCAS STEGMANN

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Filmá uma doidêra:
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